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"A MAIORIA DAS PESSOAS
É OUTRA PESSOA.
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SEUS PENSAMENTOS
SÃO AS OPINIÕES DE OUTRA PESSOA,
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SUAS VIDAS UMA MÍMICA,
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SUAS PAIXÕES
UMA CITAÇÃO".
(Oscar Wilde)
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24.8.09
Pensamentos Soltos...
Intrigante Sinfonia...
Pane no sistema, alguém me desconfigurou
Pense, fale, compre, beba
Pense, fale, compre, beba
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4.8.09
Estive pensando...
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.....O primeiro livro foi escolhido por acaso. Eu já tinha ouvido sobre o grande fenômeno Crepúsculo, da americana Stephenie Meyer, porém, a história de “uma humana comum apaixonada por um vampiro imortal” me soou um tanto boba. Até que um colega de trabalho me emprestou o DVD do filme baseado na história. O empréstimo veio acompanhado dos melhores elogios. Então, aceitei.
.....No mesmo dia, já em casa, coloquei o DVD para rodar no meu notebook. O enredo me surpreendeu. Alguns dias depois, eu não resisti. Acessei o site do Submarino e encontrei os quatro livros da série com muita facilidade. Decidi, então, que leria apenas o primeiro. E se gostasse, aí sim leria toda a série.
.....Pois bem, eu tive de admitir que a série Crepúsculo é muito mais do que uma história de dois adolescentes apaixonados. É instigante. A autora é criativa e a estrutura da história é genial. O perfeito entrelaçamento dos acontecimentos é pouco esperado de uma escritora estreante como Stephenie Meyer. Resultado: devorei os quatro livros em pouquíssimo tempo.
.....Antes de iniciar o primeiro livro, lembrei de alguns exercícios de leitura dinâmica que eu fiz certa vez. O conceito é relativamente simples. O curso que fiz dizia para olhar apenas o espaço em branco “entre” uma palavra e outra, pois o cérebro se encarregaria de codificar as palavras. No início, fiquei incrédula. Mas o curso prometia que a fluência e a velocidade da leitura viriam com a prática......Defendia também que, além da velocidade, a interpretação do conteúdo se dava de forma mais eficiente. Então, com o livro de 355 páginas na mão, decidi que praticaria a leitura dinâmica ao mesmo tempo em que me divertiria com a história cheia de fantasias.
.....Eu não contei em quantas horas, nem em quantos dias exatos eu li sete livros durantes estas minhas férias (até mesmo porque o meu principal objetivo é conquistar tempo para ler tudo o que desejo; e não participar de um campeonato de “quem lê mais rápido”). Mas a leitura foi encerrada em um mês.

.....Então, aí está o resultado. Segue a lista dos livros lidos e dos números de páginas de cada um:
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1 - Crepúsculo (de Stephenie Meyer) - 355 páginas
2 - Lua Nova (de Stephenie Meyer) - 401 páginas
3 - Eclipse (de Stephenie Meyer) - 446 páginas
4 - Amanhecer (de Stephenie Meyer) - 576 páginas
5 - A Cabana (de William P. Young) - 238 páginas
6 - O Livro da Bruxa (de Roberto Lopes) - 128 páginas
7 - Mulheres corajosas sempre vencem (Este não-ficção. Não resisto a um livro de auto-ajuda. Rs!) (de Arianna Huffington) - 200 páginas
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E por falar em leitura, este assunto tem tudo a ver com o Vitrine Viva, seção que estreia nesta publicação e com - surpresa! - o sorteio de um livro! Sim, aqui em nosso blog! Confira mais abaixo!
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Pensamentos soltos...
Vitrine Viva
quando a indignação confronta o divino
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O livro A Cabana relata momentos frios e tenebrosos, tristes e sombrios. Porém não esquece de expor aqueles quentes e vivos, cheios de alegria e de júbilo. Mais do que uma história, esse livro traz uma visão diferente sobre o conceito de “Deus”. Quebra paradigmas, questiona a religião, rejeita hierarquias, normas e regras. Derruba barreiras, rasga mordaças e liberta os punhos. William P. Young, o autor, mais do que entreter, esclarece dúvidas milenares e instiga o senso crítico. E tudo isso, em uma viagem por páginas leves.
A Cabana é um livro de ficção para quem não quer ler um livro de ficção. Eu garanto: a leitura vale a pena quando se permite ser transformado por ela.
SORTEIO
Envie um e-mail para o endereço buscando.o.inefavel@gmail.com com o assunto “EU TAMBÉM QUERO ENTRAR NA CABANA” e participe do sorteio do livro de William P. Young. Lembre-se de colocar o seu nome completo e um número para contato no corpo do e-mail.
O nome do ganhador será divulgado no blog.
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.*A Senhorita Inefável participa do Projeto Missy. Saiba o que é clicando aqui: The Missy Project (site em inglês)
Intrigante Sinfonia...
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13.7.09
Estive pensando...
Para gostar, basta entender
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Sei que após a morte do ícone Michael Jackson, o contexto pede que se debata o gênero de música pop, porém eu gostaria de compartilhar uma experiência diferente.
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.....Algumas vezes, ainda muito jovem, eu me atrevia em sintonizar nas estações de rádio que tocam músicas deste gênero. Eu ouvia, e gostava, mas não conseguia ficar durante muito tempo. Eu reconhecia a beleza da sonoridade, porém, não entendia o porquê de serem assim e minha mente vagava para outros universos.
.....Eu me lembrava das aulas de matemática, estatística e geometria... disciplinas que sempre tive dificuldade em aprender. Quanto mais eu não entendia, mais me distanciava. Senti que com a música clássica era assim. Eu queria apreciá-la, porém não a entendia para conseguir tal feito.
.....Tentar entender música clássica por si só – pelo menos para mim – é muito mais difícil do que tentar entender música rap. O gênero rap nunca fez parte das minhas preferências, mas para mim era completamente natural ficar na frente da televisão assistindo aos clipes do Eminem na MTV. Poderia não fazer parte da minha realidade nem dos meus gostos, porém eu conhecia um pouco da história deste cantor e entendia os porquês das letras agressivas. E conseguia até identificar a genialidade por trás da construção de seu trabalho.
.....Há algumas semanas, a Editora Abril lançou uma coleção de músicas clássicas. Saber disso não me empolgaria tanto se eu não visse que cada volume vem com um livro contando a história do compositor, suas obras e um Guia de Audição (!) para ir lendo enquanto você ouve as composições. Eu não acreditei que isso seria possível, mas fiquei realmente surpresa quando consegui entender cada trecho do que tocava e perceber o que o artista queria passar com cada sinfonia.
.....Como exemplo, segue um trecho do Guia de Audição do volume 2 da coleção. O comentário é sobre a obra "Abertura 1812, Opus 49", de Piotr Illitch Tchaikovsky.
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00’00” Violoncelos e violas solistas apresentam de forma plangente o hino ortodoxo Deus Salva o Teu Povo.
02’07” Após uma breve passagem em fortíssimo (termo derivado do italiano usado para indicar a intensidade do som), o oboé (instrumento de sopro, com palheta dupla e tubo cônico) apresenta uma segunda idéia (forma) musical, respondida pelos violoncelos e contrabaixos. Esses elementos irão se intensificar com a gradual inserção dos demais instrumentos.
03’07” Metais começam a evocar o caráter militar da música, com ritmos marcantes e precisos.
03’55” Aparição do tema das forças russas, com franca inspiração militar, é apresentado pelas trompas e madeiras, acompanhados pela rítmica do tambor militar.
04’51” Inicia-se uma seção imitativa, no qual um novo tema (forma musical), apresentado primeiramente pelos violinos, torna-se cada vez mais tenso.
05’34” A iminência do ataque napoleônico é evidenciada pela aparição do hino francês, A Marselhesa, nos metais.
06’59” Novo tema, associado à esperança, surge primeiro nas cordas e depois nas madeiras.
(...)
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.....O volume número 1 da coleção vem com as obras de Beethoven. Achei interessante ler sobre sua vida, saber que não parou de produzir mesmo depois de perder a audição. Mas sua obra tem um “quê” de melancólico, dramático. Diria até sombrio… Ao mesmo tempo em que reconhecia sua grandiosidade, eu ficava triste ao ouvi-la. Já Tchaikovsky me deixou encantada. Dá pra perceber uma “montanha-russa de emoções”, como o próprio guia brinca, em suas composições. Não é à toa que escreveu para as peças teatrais Romeu e Julieta e O lago dos Cisnes. Valeu realmente a pena ler e ouvir.
.....Nos próximos volumes, vou ouvir Mozart e Vivaldi. Tenho certeza que vou continuar me surpreendendo. Sempre é muito bom (um sentimento inefável) desvendar universos antes tão desconhecidos, saber que este mundo já viveu bastante e que muito se criou e realizou nele.
.....Nunca é demais aprender. Como diz Alice Cruz, uma das minhas “chefas” no local onde trabalho, “conhecimento não ocupa espaço”.
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(imagem Music, de Basilyskos, em seu álbum no Flickr - trabalho interessante, vale conferir!)
Pensamentos Soltos...
Intrigante Sinfonia...

1.7.09
Estive pensando…
“O rio se compraz em nos levar se temos coragem para nos soltarmos.
Nossa verdadeira tarefa é esta viagem, esta aventura”.
(Richard Bach)
Sonhos, desejos, uma razão para viver todos tem. Porém, observo que são poucos os que conseguem manter o foco, não se distrair ao longo da caminhada. As inúmeras atividades, os problemas, a enxurrada de notícias facilmente soterram o consciente da maioria. Esta passa a viver no piloto automático esquecendo-se de sua maior motivação para continuar respirando. Esquece de buscar aquilo que a faz ter um brilho próprio......Isso deve ter acontecido alguma vez com você, meu leitor. Assim como também ocorreu comigo. Costumo brincar que sofro de uma doença muito grave, os mais chegados a chamam de “insatisfação crônica”. Na verdade, é um anseio que tenho dentro de mim. Uma vontade de encontrar algo digno de me roubar as palavras. Exatamente elas que fazem da minha existência muito mais prazerosa.
.....Denominei essa sensação de “Em busca do Inefável”. Foi ela quem deu origem a este blog, espaço onde expresso e compartilho minha constante procura. Por longo tempo deixei de postar meus pensamentos. A correria destes últimos anos estava – e continua - tirando as minhas energias. Senti-me, por longo tempo, esgotada.
.....Trabalhando, com tarefas da faculdade e muitos prazos para cumprir, me distraí. Concentrei-me tanto nessas coisas que nem notei a falta da busca do inefável em minha vida. Decidi voltar. Decidi render-me novamente a esta ânsia e dedicar-me à atividade que possui a mais encantadora das ferramentas, a palavra.
.....Alguns me questionaram porque escolhi logo o ano mais conturbado (sim, porque este ano também me dedico ao meu TCC). Eu não soube explicar, soube apenas que era necessário, percebi apenas que esta busca me revigora.E aqui estou. Conto com a presença de vocês, essenciais leitores, ao longo de minhas publicações. Conto com a presença de vocês nessa eterna busca de não-sei-o-quê.
por César Zarallo, pego em seu álbum no Flickr)
Pensamentos Soltos…
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“- Gente, porque pensar é transgredir!”
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Intrigante Sinfonia...
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Como é que faz pra lavar a roupa? /Como é que faz pra raiar o dia?
Este lugar é uma maravilha / Mas como é que faz pra sair da ilha?
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Como é que faz pra lavar a roupa? / Vai na fonte, vai na fonte
Como é que faz pra raiar o dia? / No horizonte, no horizonte
Este lugar é uma maravilha / Mas como é que faz pra sair da ilha?
Pela ponte, pela ponte
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A ponte não é de concreto, não é de ferro / Não é de cimento
A ponte é até onde vai o meu pensamento/A ponte não é para ir nem pra voltar / A ponte é somente pra atravessar / Caminhar sobre as águas desse momento
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A ponte nem tem que sair do lugar / Aponte pra onde quiser
A ponte é o abraço do braço do mar / Com a mão da maré
A ponte não é para ir nem pra voltar / A ponte é somente pra atravessar
Caminhar sobre as águas desse momento
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Eu já atravessei a ponte do Paraguai / Um filme inspirou a ponte do rio que cai / É sucesso em Campinas e na voz dos racionais / Mas a ponte da capital é demais
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Projetada para aproximar / Do centro o São Sebastião, o lago e o Paranoá / Desafogaram o tráfego na região / Visitantes de chegada, nova opção
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Fique ligado, acompanhe passo a passo / Condomínios luxuosos por todos os lados / O congresso e o planalto colados / “Aqueles barraco ali ó, vão ser retirados”
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A ponte é luxo, nada é mono, só stéreo / Mil e duzentos metros, louco visual aéreo / Quem sobe só pra regular a antena / Reforce as pontes-safena
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A ponte começou depois, mas terminou / Bem antes que as obras do metrô / Quem mora fora do avião / Bate palma, aplaude, apóia, pede diversão
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A ponte é muito, muito iluminada / O pôr do sol numa visão privilegiada
O povo quer passar, vê nela algo místico / A ponte virou ponto turístico
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Esse lugar é uma maravilha / No horizonte, no horizonte
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Tem ambulante, tem camelô
Olha pra baixo, vê jet-ski e altos barcos
Olha pra cima, lá estão os três arcos
A ponte saiu do papel, virou realidade / Novo cartão postal da cidade
Um quer transformar ela em patrimônio mundial / Um outro num inquérito policial
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Então, então, então, na sua opinião, Lenine,
Tá tudo normal ou existe crime?
Se souber o caminho de rocha, me aponte
Vai na fonte, vai na fonte
É... a ponte simboliza união
No nosso caso, Brasília e o sertão
[A ponte não é de concreto, não é de ferro, não é de cimento]
É do vermelho, é do azul, é de cada elemento
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Leva o nome de JK / Que transferiu a capital do litoral pra cá
Lenine, te peço mais um favor [Diz aí] / Cante a origem deste preto que se apresentou
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Nagô, nagô, na Golden Gate

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Quem foi? / O projeto é do arquiteto Alexandre Shan
Pagaram? / Todas as contas foram aprovadas pelo TCU
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Intrigante sinfonia é uma seção que tem por objetivo expor letras de músicas que servem como retrato da nossa sociedade brasileira, nossas culturas, de acontecimentos, de eventos, de nossos desejos, anseios e dúvidas, retrato de uma perspectiva de futuro, dentre muitas outras coisas.
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Você conhece alguma música que retrate alguma característica de nossa sociedade brasileira? Se sim, envie o nome, o autor e a letra para buscando.o.inefavel@gmail.com . Ela pode ser publicada neste blog!
8.10.08
Estive pensando...
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.....Com o passar do tempo, criou-se a idéia de um deus distante, que não habita a terra e não tem pacto direto com os seus seres. Deus estava longe, sentado no seu trono imponente, preocupado demais com assuntos tão inimagináveis que se tornava também impossível de se imaginar que ele pudesse prestar alguma atenção nos meros mortais. O ser humano se viu, assim, livre para usufruir de todos os recursos e matérias-primas que estavam bem ali, debaixo dos seus pés. Já não era proibido dominar a natureza. Sendo deus ausente, todos já não eram mais sagrados, muito menos faziam parte de um todo. O homem era superior e dono de si. Feito a imagem e semelhança de um deus e, por isso, poderoso.
.....Mais alguns sóis e algumas luas são vistas e temos um universo sem um criador. Não há um deus, apenas uma referência, o dinheiro. E esta referência, diferentemente de um deus, não precisa de parâmetros nem leis para ser alcançada.
.....Encontramos nesta fase um ser humano fragmentado. Ele já não é um todo, não é um ser que possui uma história com começo, meio e fim. Ele não sabe quais são as suas origens e não sabe que caminho encontrará para seguir. Este ser possui apenas um tempo: o momento presente. E este único momento “possível” se tornou justificativa para que as razões individuais se sobreponham às razões coletivas. Toda e qualquer ação é justificada para que seja possível a busca da felicidade, mesmo que esta, na maioria das vezes, seja momentânea.
.....Perdeu-se o valor da família, dos laços afetivos, do conceito de sagrado. O sentimento de individualismo aflora cada vez mais abafando os sentimentos de altruísmo e solidariedade. A competitividade e a ânsia para se obter um bem próprio são maiores do que a vontade de se conquistar um bem para o coletivo. Pierre Legendre exemplifica bem como isso funciona com o que chama de “self-service normativo”, onde todos podem escolher os seus valores em detrimento dos valores do coletivo.
.....Edgar Morin, em seu livro Método 6: ética, propõe que se busque os fundamentos da ética e não falsos valores que surgem apenas para cobrir o vazio. É preciso visar o bem da comunidade e que prevaleça o zelo pela espécie. É preciso inverter as atitudes desta sociedade capitalista.
.....Uma das ferramentas possíveis de serem utilizadas é o jornalismo, porque ele, em sua essência, já é social e comunitário. O problema está no jornalismo que, em sua grande parte, cedeu aos interesses de grandes corporações em detrimento da causa pública.
.....Eugênio Bucci, em seu livro Sobre Ética e Imprensa, diz que ética é saber escolher entre “o bem” e “o bem” (ou entre “o mal” e “o mal”), levando em conta o interesse da sociedade. O jornalista precisa, seja nas universidades ou nas redações, ser constantemente estimulado e treinado a exercer o seu ofício com olhar comunitário. Assim, ele será exemplo de conduta e disseminador de um ideário que (re)construirá fundamentos verdadeiramente éticos.
22.1.08
Ramerrão*
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Acordou.
Leu o jornal. Na verdade, folheou.
Foi para o trabalho. Em cima da hora.
Almoçou. Não se lembra o quê.
Foi além do expediente.
Chegou na faculdade. Atrasado.
Estudou. Pouco se lembra o quê.
Voltou para casa.
Assistiu ao reality show do momento.
Tomou banho.
Jantou uma sobra de ontem.
Dormiu. A luz ficou acesa.
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E cada momento da vida vai passando como se tivesse somente um segundo.
*Este texto faz parte de um projeto "ainda sem nome", que consiste na elaboração de textos originados de temas sugeridos por uma mediadora. Cada participante escolhe um tema e seu texto, depois de postado no blog, recebe uma crítica de outro participante.
O texto Ramerrão recebeu a crítica de Vinicius Peixoto. Confira logo abaixo:
Diário de Menina
..."Não conheço a Fábia. Nunca a vi passar nos corredores da faculdade. Nunca tive a oportunidade de ler em seu olhar se realmente busca o inefável. Para criticar o último texto dela, preciso primeiro falar a respeito do blog como um todo.
...Quando era adolescente, tinha uma curiosidade enorme em saber o que havia dentro dos diários que as meninas escreviam. Queria conhecer todos os segredos que eram colocados ali. Não imaginava, na minha ingenuidade de hormônios pululantes, que isso poderia ser uma invasão de privacidade imensa. Cresci e não consegui realizar esse desejo.
...Estou lembrando isso porque ao entrar pela primeira vez no blog da Srta. Inefável, me senti dentro de um diário de menina. A Fábia escreve com o descompromisso de menina que confessa coisas a uma folha de papel colorida. Daquelas em que se pregam fotos de momentos marcantes e adesivos brilhantes. Mas não é fácil de ver isso. Perceber o blog assim exige concentração e amor pela leitura.
...Dentro de cada pensamento solto, cada poema, cada letra de música, existe um fio de meninice, uma doçura... Como dizer? Inefável!
...Valendo-me dessa premissa, minha crítica ao texto “Ramerrão” será curta e direta.
Amante de leitura que sou, imaginei chegar no blog da Fábia e encontrar um belo texto, extenso e cheio de emoção, com detalhes vivos e emocionantes. Quando vi um pequeno bloco de palavras, me decepcionei. Esperava me deparar com um tolho de reflexões e a única coisa que vi foram 10, talvez 13 linhas, em forma de poema.
...Droga! - pensei eu. Respirei fundo e me propus a ler sem preconceitos. E, no final das contas, tive uma grata surpresa!
...“Ramerrão” narra, em sua genialidade, o dia-a-dia que passa, e passa, e passa enquanto a nossa própria vida passa. Como a própria autora diz: “Cada momento da vida vai passando como se tivesse somente um segundo.”
...A velocidade da leitura e a forma da construção trazem exatamente o sentido de que só paramos para pensar na vida quando temos uma última oportunidade, um último segundo, sem imaginarmos que o que fica para trás é uma história, um filme inacabável que acontece sem que percebamos. E Fábia soube dizer em uma dúzia de linhas!
...O texto é fantástico e o diário da menina Fábia é, sim, absolutamente inefável!"
Vinicius Peixoto é estudante de jornalismo e possui uma sensibilidade que raro se encontra em jovens escritores. É autor do blog http://tresdedosdeprosa.blogspot.com/. Vale a pena acessar.
14.1.08
Promessa de Ano Novo*
.....Sorriu, satisfeita, como se possuísse poderes imensuráveis para realizar todo o “impossível”. Imaginou-se então, naquele mesmo local, apreciando o formato das mesmas nuvens, no início de 2009. “Estarei eu elaborando uma nova lista? Muito provável que sim…”
.....Começou a analisar, então, o dia-a-dia das pessoas. Notou que não só nas passagens de anos se fazem promessas e listas e mais listas… mas também todos os dias. “E quando eu realizar tudo o que está em minha lista, qual será o passo seguinte? Elaborar uma nova lista…”. Respondeu a si mesma.
.....Neste momento, ouviu cantos de passarinhos e começou a imaginar como seria a vida dessas pequenas criaturas. Sempre alegres e talentosas, cantam todos os dias, a qualquer horário. Felizes, não porque realizam, conquistam… mas simplesmente porque vivem.
.....Ficou imaginando, então, quanto tempo de sua vida concentrou suas energias apenas em metas, objetivos. O seu conceito de felicidade estava sempre no futuro, sempre na maçã no alto da árvore que desejava tanto alcançar. Imaginava que só estaria feliz quando estivesse com essa maçã nas mãos. Porém, o ano novo transformara algo dentro dela. Notou como sentiu-se plena ao estar na companhia de seus familiares, ao ler seu livro preferido… Não se sentia satisfeita apenas ao terminar a leitura. Sentia-se bem durante todo o processo de leitura do livro.
.....“Talvez o ser humano foque no item errado”, pensou consigo mesma. Chegara à conclusão que, melhor que usufruir de tudo aquilo que se conquistou, era o processo de conquista. O ato de expandir os horizontes, dar passos mais largos, voar mais alto, sentir que se está ficando mais forte… “Afinal, não é isso que o ser humano leva para outras vidas?”, pensou, “A experiência, o aprendizado, a maturidade…” Decidiu, então, que a maior e mais importante das suas promessas seria a de estar atenta a cada milésimo de segundo de sua vida, na confiança de que tudo daria certo, sem deixar de sentir a alegria de cada momento.
*Este texto faz parte de um projeto "ainda sem nome", que consiste na elaboração de textos originados de temas sugeridos por uma mediadora. Cada participante escolhe um tema e seu texto, depois de postado no blog, recebe uma crítica de outro participante.
O texto Promessa de Ano Novo recebeu a crítica de Marco Aurélio. Leia logo abaixo:
"Eu sou um cínico. Sei que é estranho começar uma crítica assim; mostra, no mínimo, grande egocentrismo por parte do crítico. É isso também, mas não só: preciso deixar claro meu cinismo constante para explicar logo de cara por que não gostei do texto "Promessa de Ano Novo", de autoria da colega Fábia Zuanetti, ou Senhorita Inefável. Se ainda me restasse alguma fé na humanidade, talvez fosse capaz de apreciar o texto. Acho, no entanto, que a humanidade encaminha-se para o buraco, e já vai tarde. Sendo assim, o texto me pareceu apenas um pastiche de auto-ajuda, e só me fez sorrir. Um sorriso torto, cínico, é claro.
Se o cinismo não permite que eu analise a mensagem do texto de forma equilibrada, atenho-me a detalhes mais técnicos. Para começar, está escrito corretamente. Exceção feita ao estrangeirismo desnecessário do primeiro parágrafo ("step by step"; o que há de errado com "passo a passo"?) e ao famigerado e inexistente verbo "focar" do final, o texto é bem escrito.
De resto, a autora não parece à vontade. Isso seria compreensível, tratando-se de um texto-tarefa, cujo objetivo é ser analisado por pessoas desconhecidas, talvez até um crítico cínico e desalmado (que deus nos livre). Mas estudamos para ser jornalistas, e a pressão desse leitor invisível e cruel é uma constante na profissão. Enfim, é mera suposição de minha parte.
Outro aspecto que me incomoda é a presença da autora no texto. Assim como um bom árbitro de futebol é aquele cuja presença não é notada no campo, o bom escritor é aquele que não se deixa ver naquilo que escreve. Ver o rosto do manipulador acaba com a graça de qualquer apresentação de marionetes. Principalmente na falta de fluidez do texto, nos saltos de pensamento da narradora, nota-se a autora mexendo as cordinhas, manipulando. A personagem não vive, é um mero fantoche.
O que vejo é uma pessoa com talento, mas que precisa de um pouco mais de sabor, de tempero em seu texto. O negócio é ler e reler livros de autores mortos e escrever todos os dias. Fiar-se demais na inspiração não dá resultados, é preciso estar disposto a transpirar também. "
Marco Aurélio é estudante de jornalismo, cínico e egocêntrico (mas acredito não ser uma má pessoa), cético e autor do blog http://www.jesusmechicoteia.com.br/.



