5.9.07
Pensamentos Soltos...
3.9.07
Estive pensando...
…Sobre a (não) importância dos coadjuvantes.

.....Flagrei-me julgando personagens – ao meu ver - inúteis de algumas histórias em quadrinhos. Não li todas as aventuras de Batman, mas suponho que ele continuaria sendo um grande herói mesmo que não existisse o Robin. Com que finalidade Robin entrou em cena? Assistente de Batman? Batman já não dava conta de todos os seus inimigos antes da existência de Robin?
.....O mesmo digo sobre Peter Parker, o querido Homem-Aranha. Sinto pena da sua namoradinha Marie Jane. Tão inteligente, de uma beleza exótica e cabelos vermelhos, sonhava apenas em encontrar um grande amor que a fizesse feliz. Que influência ela causava no Homem-Aranha senão enfraquecer os seus poderes quando o relacionamento de ambos não ia bem? A jovem encontrou neste rapaz um “herói dos outros”, que sempre esquecia das datas importantes e de momentos que muito especiais eram para ela. Por que, Marie Jane, me diz o porquê de você não ter deixado para lá algo que tanto a magoava e não mergulhou de cabeça em sua carreira de atriz e deslanchou como uma estrela na Broadway? Escrevesse você, minha cara, sua própria história.
.....Penso também naquela jovem e bela moça – não recordo o seu nome – que quase pos a perder todo o plano do V. (de Vingança). Ao assistir a adaptação da história para o cinema, pulo no sofá de ansiedade, preocupação. V abriria mão de todo o seu propósito de vida por amor a uma bela que mal entendia os seus pensamentos?! Suspirei de alívio quando, no final do filme, tendo a responsabilidade em suas mãos, ela decide sim explodir o prédio do parlamento. Está bem, está bem… talvez não fosse tão tola.
.....Penso agora em Isolda. Personalidade forte. Geniosa. Vivia cercada por pessoas que insistiam em tomar decisões por ela. O que comer, o que vestir, como se comportar… Ao ver-se prometida ao um Rei que não amava, se entregou a loucura de viver um amor proibido com quem de fato estava apaixonada. Está certo que a situação fugiu um pouco de seu controle, mas, mesmo assim, era corajosa o suficiente para fugir e escrever a sua própria história entre as árvores da escura floresta onde se encontrava com o jovem Tristão. Intensa, não se contentava em ser apenas o que desejavam que fosse.
.....Observo belas, jovens, inteligentes e fortes mulheres que abrem mão de sua carreira, de sua família, de suas vontades para acompanhar os maridos em suas empreitadas profissionais. E por que não é permitido que o homem abra mão de tudo isso e vá viver em função de sua esposa? Escolha ele qual o sapato que ela irá usar na segunda-feira de manhã. Por que não ele abrir mão de certas atividades e acompanhar os filhos à escola, ou cozinhar o jantar? Nunca me esquecerei de um diálogo que tive certa vez com o meu professor de Sociologia, o grande Salomão. Ele disse que iria viajar para Portugal para participar de um curso e, é claro, aproveitar para conhecer alguns lugares da Europa. Sua esposa ficaria no Brasil cuidando de seus quatro filhos… Perguntei: - E porque não a leva com você? E se fosse a sua esposa a ir para a Europa? Você ficaria com os seus quatro filhos? Ele respondeu: - Se fosse o inverso, provavelmente, eles ficariam com a avó, e eu iria com a minha esposa. Lamentável.
Inania Verba
...
Ah! quem há de exprimir, alma impotente e escrava,
O que a boca não diz, o que a mão não escreve?
- Ardes, sangras, pregada à tua cruz, e, em breve,
Olhas, desfeito em lodo, o que te deslumbrava…
O Pensamento ferve, e é um turbilhão de lava:
A Forma, fria e espessa, é um sepulcro de neve…
E a Palavra pesada abafa a Idéia leve,
Que, perfume e clarão, refulgia e voava.
Quem o molde achará para a expressão de tudo?
Ai! quem há de dizer as ânsias infinitas
Do sonho? e o céu que foge à mão que se levanta?
E a ira muda? e o asco mudo? e o desespero mudo?
E as palavras de fé que nunca foram ditas?
E as confissões de amor que morrem na garganta?!
(Inania verba – Olavo Bilac)
Pensamentos Soltos…
...
(Ramprashab, poeta e filósofo hindu).
***
“Para se estar junto, não é preciso estar perto. Mas do lado de dentro”.
(Leonardo da Vinci, pintor italiano).
***
“Errar é humano. Culpar outra pessoa é política”.
(Woody Allen)
***
“Entre o riso e a lágrima há apenas o nariz”.
(Millôr Fernandes)
30.8.07
Perspectiva
...
Ex-cada

Veja mais fotos criativas em http://mundut.blogspot.com/ , blog do meu querido amigo Utsumi. Vale a pena conferir.
..
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(Um recado ao Utsumi: "saudades do Bóóóóóris!")
...
17.8.07
O que é bonito... (Lenine)
...
O que é bonito
É o que persegue o infinito
Mas eu não sou
Eu não sou, não...
Eu gosto é do inacabado
O imperfeito, o estragado que dançou
O que dançou...
Eu quero mais erosão
Menos granito
Namorar o zero e o não
Escrever tudo o que desprezo
E desprezar tudo o que acredito
Eu não quero a gravação, não
Eu quero o grito
Que a gente vai, a gente vai
E fica a hora
Mas eu persigo o que falta
Não o que sobra
Eu quero tudo
Que dá e passa
Quero tudo que se despe
Se despede e despedaça
O que é bonito...
Pensamentos Soltos...
Sua realidade não é real: é somente uma interpretação”.
No momento em que você modifica a percepção da realidade, acaba modificando a própria realidade. Essa é a beleza de tudo isso: parece fantasia, mas é real.
***
Na montanha da transcendência, quase nada pode ser ensinado, ainda que tudo possa ser aprendido.
Estive pensando...

.....“Provocando contrações no útero, em qualquer idade gestacional, o medicamento não atua sobre o próprio feto, apenas provoca a sua expulsão”. Assim é descrito o efeito do Citotec, um dos medicamentos mais utilizados para fins de aborto. Desenvolvido, inicialmente, para tratar úlceras, essa droga, que pode ser encontrada por trezentos reais até mesmo em sites na Internet, provoca contrações de parto para que o feto seja expelido. Sendo assim, o feto não morre por ter sido agredido, mas porque, se ele tem menos de seis meses e ainda não tendo condições de inalar o ar, ao ser expulso, morre por asfixia. Exatamente como ocorreria com uma pessoa que fosse estrangulada.
.....A palavra aborto tem origem do latim ab – ortus, que significa “privação do nascimento”. Essas discussões que temos assistido em nossos tempos através dos meios de comunicação, nos fazem refletir se temos ou não o direito de privar alguém do nascimento.
.....A partir de qual momento o feto passa a ser conceituado como uma vida? E esse conceito, é estipulado por quem? Por nós? Por Deus? Pela ciência? Pesquisas comprovaram que, já com sete semanas de formação, é possível o feto sentir dor. Nos casos de falha do aborto químico (provocado por medicamento) é necessária a aspiração do útero para completar a interrupção da gravidez, isso quando não é inserido um aparelho cirúrgico na vagina para cortar o feto em pedaços e retirá-los um a um de dentro do útero. Assim, simplesmente, como se fosse um boneco de plástico.
.....Se nas primeiras semanas o coração do feto já está formado e, após o sétimo mês, ele já é capaz de sentir dor, como seremos capazes de acreditar que ele só será humano a partir do momento que tiver consciência de si mesmo? É um erro primário acreditar que a vida se inicia apenas após o parto. Ainda na barriga, a criança já ouve, já “percebe” a mãe. Já sente dor.
.....Quem lembra que a Bíblia ensina que não temos o direito de tirar a vida de um próximo? Essa é a Lei de Deus. Ou até analisando as leis dos homens, na Declaração Universal dos Direitos Humanos, vemos que todo indivíduo tem direito à vida e à liberdade. Há quem diga: “Ok, o feto tem direito à vida, mas e a liberdade de escolher se se quer ter um filho ou não?”. É claro que essa liberdade existe, e ela deve acontecer na prevenção. Com tantos métodos contraceptivos que podemos encontrar hoje em dia na farmácia mais próxima de casa, não há desculpas (a não ser em casos extremos, como estupro, por exemplo).
.....Segundo o Código Penal Brasileiro, o aborto é crime contra a vida, salvo em dois casos: quando não há outro meio para salvar a vida da mãe e quando a gravidez resulta de estupro. Em 1992, foi ratificada a Convenção Americana de Direitos Humanos, dispondo em seu artigo 4º que o direito à vida deve ser protegido desde a concepção.
.....Espero, sinceramente, que essas leis continuem inalteradas e que, um dia, a humanidade possa ter evoluído a ponto de compreender que a vida não é tão complexa e que não exige muito além desse simples ar que respiramos, e que não querer dividi-lo é pura crueldade, egoísmo e covardia.
9.8.07
27.7.07
Pensamentos Soltos...
.....
"Muitas vezes em minha vida eu opto por uma amizade eterna do que por algo que corre o risco de ser efêmero e acabe com a chance de uma amizade duradoura."
.....
.....
25.7.07
Estive pensando…

......
.....Há alguns meses, vimos em grande parte dos meios de comunicação – inclusive na capa da revista Veja – a descoberta do planeta GL581c. Com características semelhantes às do nosso planeta, porém, com um raio maior e uma massa cinco vezes maior, foi apelidado de “Super-Terra”.
.....Como uma boa ariana e curiosa que sou, depois de ler a intrigante matéria da revista Veja do princípio ao fim, permiti-me alguns minutos para tomar um café filosófico na companhia dos meus grandes amigos Tico e Teco. “Inacreditável!”, foi o pensamento resultante do meu primeiro gole. “Descoberto um planeta aparentemente habitável, e mais, fora do nosso sistema solar”.
.....Fiquei me perguntando já há quanto tempo não estaria a Super-Terra ali, escondidinha, resolvendo aparecer somente agora, quando de fato quis se revelar. Ou ela já havia surgido quando nós, seres humanos, decidimos desvendar esse mistério que é o universo e só faltou um olhar mais atento ou uma lente mais grossa para notá-la? Ou será que ela só chegou ao nosso conhecimento, meros mortais e não astrônomos da França, Portugal e Suíça que vivem com a cabeça – quase literalmente – na Lua, por causa do aquecimento global? Sim, o aquecimento global também é uma possibilidade uma vez que se tornou o vilão do momento e é culpado pelo derretimento da casinha dos pingüins, o desaparecimento das abelhas nos Estados Unidos e parte da Europa, e tem servido de desculpa até pelos altos índices de abortos e assaltos no Brasil, e que nos faz sair à caça de uma nova moradia.
.....A questão é que desde o início de sua existência, o homem olha com fascinação e curiosidade para o céu. Mesmo a 194 trilhões de km do nosso planeta, a Super-Terra cria em nós o desejo de descobrir se sua superfície é rochosa, como a da Terra, ou coberta por oceanos, possibilitando ou não a permanência de vida humana. Mesmo que, para isso, fosse necessário, através do foguete mais veloz já projetado até hoje, 400 mil anos para chegar lá!
.....Ainda não satisfeito, o astrônomo e um dos descobridores do GL581c, Michel Mayor, em entrevista ao site G1, diz que “acharemos gêmeo <idêntico> da Terra”. Meu Tico questionou: “para quê desbravar novos mundos se nem sequer desbravamos este ainda?” Teco concordou: “O que faremos se este gêmeo de fato existir? Seguiremos a sugestão de alguns que andam dizendo por aí para construirmos uma ‘nave de Noé’ e migrarmos – quase – todos para a nova Jerusalém?”.
.....O café, na grande xícara americana, já havia esfriado quando cheguei à conclusão que a humanidade não pode agir como um casal que faz viagens cada vez mais longínquas em busca de solucionar o problema conjugal, sem notar que o problema vai junto. Está na hora de acordar. Antes da GL581c, outros 200 planetas fora do sistema solar já haviam sido descobertos. E a vida continua.
.....Enquanto alguns pensam que a solução para todos os nossos males encontra-se entre as estrelas, prefiro ater-me a simples imagem romântica que a Lua Cheia representa aos jovens apaixonados e sonhadores, e continuar com os olhos atentos por onde piso, pois, é aqui que tenho de ser responsável e buscar reverter os problemas causados, não pela própria Terra ou pela natureza, mas por nós, seres dominantes. Afinal, há ou não solução para este mundo e esta vida?
Cena Intrigante
...
.....Durante um passeio, em um domingo de sol, pelas belezas do Parque da Água Branca, na Barra-Funda, minhas irmãs e eu notamos uma imagem intrigante.
.....Observe, leitor, com calma e detalhadamente a seguinte foto:

.....Agora, tente encontrar um corpo – isso mesmo, um corpo – pendurado no tronco desta árvore. Para ajudar, uma aproximação:

.....Notaram? Intrigante, não?!
.....Para quem ainda não conseguiu encontrar o corpo no tronco desta árvore, observem a foto seguinte:

.....Essa é uma daquelas cenas que simplesmente não conseguimos explicar.
Liberdade
...
...

Houaiss: “É ser senhor de si e de suas ações, dotado de poder de escolha”.
Ser livre é poder escolher entre ler um livro ou assistir à televisão.
É poder escolher qual livro vou ler.
É poder escolher assistir algum programa de televisão, de qualidade, instrutivo. E quando eu de fato estou com vontade de assistir à televisão.
É poder escolher qual estação de rádio deixarei programada no meu celular.
É poder escolher ouvir Djavan, Chico Buarque, Tom Jobim, Tim Maia e Cazuza, mesmo que esses não toquem tanto nas rádios quanto artistas mais populares.
É poder, também, ouvir a artistas populares, porque esses sons também são divertidos.
É poder escolher ouvir Nelly Furtado, Christina Aguilera, U2 e Beatles.
É poder refletir nas palavras de Jesus Cristo e do Rei Salomão, sem deixar de ouvir as palavras de Buda e de Bono Vox.
É poder escolher correr em dia de chuva ao invés de se encolher debaixo de um toldo de algum supermercado…
É poder escolher beijar debaixo d’água ao invés de beijar do jeito convencional.
É poder escolher votar naquele candidato na qual realmente acreditamos ser o melhor, e não naquele que fez a melhor propaganda durante as eleições…
É poder escolher entre um nome ou outro para dar ao seu filho.
É poder escolher com quem se confessar, porque os seus segredos e suas questões pessoais não são para qualquer um.
É poder sentir-se confortável na empresa na qual trabalha. É identificar-se com a filosofia e estar satisfeito em estar cumprindo tais missões.
É poder escolher entre o silêncio e escrever ouvindo música…
É poder gargalhar espontaneamente.
É poder agir de maneira boba na frente daquele garoto especial.
É poder escolher rir com o atraso do trem…
É poder escolher entre usar tênis ou salto alto.
É poder escolher entre chorar ou sorrir.
Ser livre é simples, é isso.
17.7.07
Estive pensando...
. .
.....Gosto dos textos do Antonio Prata. Acho-o excelente escritor. Competente, divertido. Quando adolescente, era fã da revista Capricho. Acompanhava todas as edições. Atualmente, já sem idade para isso, não resisto a pegar a mais recente edição e correr para a última página. Quando tenho tempo, folheio a revista toda, todavia, o meu maior interesse é pela última página. É lá que eu encontro a coluna do filho de Mário Prata. Sempre abordando temas corriqueiros e engraçados, desta vez ele falava sobre muitas leitoras que enviaram-no e-mails perguntando qual seria a melhor forma de trabalharem como jornalistas e/ou escritoras. Nesta coluna, ele dizia para não se prenderem à faculdade de jornalismo, que este curso é só o começo, que oferece algumas ferramentas, mas que não ensina um jornalista à “enxergar o mundo”. Esse texto foi a confirmação de que havia alguma “coisinha” errada no meu planejamento de carreira. Isso me preocupou e o texto de “Prata Jr.” ocupou a minha mente durante dias, contudo, ao fechar a revista, encontrei algo intrigante que roubou minha atenção.
.....Uma propaganda de uma marca de tênis. O nome não vem ao caso. A frase que servia como legenda para os dois pares de pés calçados que apareciam na foto era: “Use a alma pelo lado de fora”. Assim mesmo, com a palavra “alma” em destaque. Parei e fiquei observando aquela contra-capa por alguns instantes. Mergulhei em reflexões filosóficas. Qual o significado de alma para Deus quando Ele a criou? Qual o significado de alma para os filósofos na época de Sócrates? Qual era o significado de alma para os reis e as princesas? Qual era o significado de alma para Shakespeare? E para Freud? E qual o significado de alma para os atuais pastores evangélicos?
.....Dei-me conta que para os jovens – e os não tão jovens – de hoje em dia, alma significa ter o tênis da moda, uma blusa de grife, uma calça de preço estrondoso… Será somente isso? A essência de vida resumiu-se ao um objeto de borracha e tecido? E se todas as pessoas obtiverem este tênis e eu não? Serei um ser sem alma? Calçar este emblema grudado nos meus pés faz de mim uma pessoa melhor? Receberei uma premiação por isso? Ou o tênis é um prêmio por si só?
.....É definitivamente triste ver a que ponto os seres humanos chegaram hoje. Viver em um mundo, na qual se mede o valor de uma pessoa pelo o que ela veste, não está nada fácil. Há pouco tempo que comecei a prestar atenção na moda. Confesso que por influência de minha irmã que sempre gostou de se vestir bem e me incentivou a calçar mais sapatos e usar acessórios. Entretanto, continuo prestando muito mais atenção no que as pessoas dizem. É em uma conversa (por favor, leitores, de mais de quinze minutos!) que se conhece um pouquinho do que a pessoa é de fato. Se alma não for um espírito residindo dentro de um pedaço de carne, ela é a mente de uma pessoa.
.....Entristece-me ver tantas relações superficiais, o egocentrismo, individualismo, egoísmo e culto ao corpo. Uma marca é somente uma marca, um nome como qualquer outro. Às vezes apenas mais bonito ou mais feio. Desvencilhem-se, leitores, do que a mídia e a sociedade intitulam como “bom” ou “ruim”. Se um colega de trabalho possui um carro do ano, não saia correndo louco para se endividar para ter um igual se, até o momento, você estava satisfeito com o seu. Não se preocupe se as pessoas ao seu redor vivem competindo umas com as outras. Não entre neste jogo. Tente você ser cooperativo. Um cooperador com coisas sadias, relacionamentos fortes e estáveis. Isso sim chama a atenção. Estar em destaque se fundamenta justamente nisso, fazer a diferença. Viver na contra-mão do mundo.

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O Beijo
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.....Sentia como se aqueles lábios me pertencessem assim como me pertence essa dependência do ar para continuar vivendo. Doeu. Doeu demais. Uma dor inexplicável. Indescritível. Nunca encontrarei a cura para tal, apenas me acostumarei com ela.
.....Todavia, tudo na vida é aprendizado. E tudo isso me serviu para compreender que grande parte do controle das nossas vidas não se encontra em nossas mãos. Algumas coisas são imprevisíveis, inevitáveis. E devemos rir da cara do destino.
.....Até então, eu não pretendia conhecer um beijo sem sentimento, sem carinho, sem emoção, sem expectativas. Agora, já não me importo mais, afinal, às vezes, ou na maioria das vezes, um beijo pode ser apenas um beijo. E nada a mais. É possível que, um beijo que é apenas um beijo, torne-se sentimento, carinho, emoção, expectativas.
.....Eu perdôo. Sem demagogia. Perdôo. Estou livre. Livre de um beijo fingido. Livre de um peso que é a mágoa.
.....Um beijo é apenas um beijo. Obviamente, concordo que com amor ele é muito mais intenso e gostoso, porém… contudo… no entanto… todavia… quem tem a ousadia de afirmar como de fato é o amor? Existe uma maneira de ensinar como identificá-lo?
.....Considero o ser humano privilegiado. O seu amor pode ser tanto real, verdadeiro, como simplesmente fruto da nossa imaginação. E como afirmou Clarice Lispector, em uma realidade inventada tudo acontece exatamente como queremos. Sem tirar nem pôr.
.....Está lendo tudo isso como se fosse meros devaneios? Está errado. É (somente) um momento nostálgico. Um dentre muitos.
Vôo de Balão
..
.....Fazer um passeio de balão me ensinou algo quase inefável.
.....Da possibilidade de observar através de vários ângulos uma mesma situação, ou um mesmo objeto, todos têm conhecimento. Porém, são poucos os que entendem – e sentem – a importância disto.
.....Cada prisma nos proporciona a dádiva de uma sensação diferente.
A sensação de estar apenas observando…
A sensação de notar-se tão perto…

A sensação de fazer parte do cenário…

A sensação de estar além do que se havia imaginado…

A sensação de ver que está chegando ao fim…

(Piracicaba - 07/06/2007)
12.7.07
Estive pensando...
.....Enfim, vi-me sem saída. Preciso continuar observando com curiosidade as pessoas. Aliás, observo tudo. O cenário, a situação, os coadjuvantes, até suas sombras. Assim como o excelentíssimo texto de José de Alencar nas primeiras páginas da obra O Sertanejo, assim sou eu observando o mundo. Como se fosse uma câmera, observo as estrelas, o universo, o planeta Terra, então, noto o contorno do continente sul americano, faço um “zoom” para observar melhor este nosso país chamado Brasil. Aproximo-me de São Paulo, e continuo, até alcançar o lugar onde estou. Pode ser aqui, sentada, na frente do computador. Ou na empresa onde trabalho. Ou em um parque, onde posso sempre manter as árvores ou o pôr-do-sol como cenário de fundo (e existe outro melhor para se enquadrar?). E finalmente, fixo-me na pessoa com quem estou conversando, ou que está no mesmo ambiente na qual me encontro, e percebo, quando olho bem no fundo dos olhos dela, que há um outro universo que eu desconheço. Um universo infinito e indecifrável. E me dou conta que em cada pessoa em que fixo o meu olhar há um universo escondido, disposto - ou não - a ser desvendado.
.....Encontro-me, então, irritada. Frustrada. Incapaz. Impossibilitada de mergulhar nos olhos destas pessoas e nadar por cada cantinho do seu interior. A alma humana (entende-se aqui, mente) é algo fascinante! Rica em detalhes. (Como me apego a detalhes! São eles que formam o conjunto final, como também, são eles belíssimos por si só!). Queria eu entender o porquê de certas atitudes, comportamento, reações diversas perante cada situação. Eu queria entender como uma pessoa consegue agir tão espontaneamente sem medo de errar ou de falar alguma bobagem, enquanto outras dissimulam, fingem algo que não são, enganam… E, mais do que isso, gostaria de entender porque determinadas, para não dizer muitas, pessoas desacreditam daquelas que sorriem livremente simplesmente liberando a sua essência, e apóiam aquelas que escondem a sua verdadeira personalidade e influenciam quase sempre por motivos interesseiros…
.....A minha ânsia para compreender isto se torna a minha tristeza. E a minha incapacidade, uma frustração. Talvez eu devesse, tomando como exemplo a síndrome de Pollyana*, mudar para o outro lado do muro. Sim, sou dessas, caro leitor, que sorrio e sou gentil sinceramente. Quando gosto de algo ou de alguém, demonstro. Quando não gosto, não destrato nem ignoro, mas também não me aproximo. Sou sincera. O meu andar, o meu agir, a minha forma de muito gesticular enquanto falo (como uma boa descendente de italianos!), as minhas escolhas lexicais, a minha maneira de vestir, tudo, exatamente tudo revela a minha essência. E das pessoas que pertencem ao outro lado do muro, eu nada sei, nada compreendo, exatamente porque elas são assim: usam inúmeras máscaras e como perfeitos atores de teatro, perambulam pelo mundo afora manipulando e de forma hipócrita, isso mesmo, de forma hipócrita sempre conseguem o que querem.
.....Talvez, para que eu não me sinta tão mal, ironicamente, eu devesse pular o muro. Pelo menos para teste. E conferir se, finalmente, serei ouvida. E sendo ouvida, que seja também compreendida, mesmo que o que eu esteja falando seja pura mentira e fingimento.
.....Essa angústia, leitores, essa angústia que sinto por não conseguir compreender as razões desse primeiro ato (primeiro para mim, pois, provavelmente muitos outros atos já haviam sido encenados antes das cortinas subirem), essa sim é algo que posso chamar de inefável. Um inefável ressentido…
.....Vou parar de escrever, pois a primavera já se foi (porque ela é obrigada a ser sempre “ida”!) e o outono chegou… Não gosto de escrever quando é outono. Gosto apenas de sentar à janela e observar as folhas secas das árvores caindo… Porque quando elas caem, somente quando caem, são merecedoras da minha desilusão.
Tudo lhe era possível
.
(...).
- E de repente, ela descobriu que era possível.
- O que era possível?
- Tudo lhe era possível.
- A vida lhe era possível?
- Tudo lhe era possível. A vida, a morte, os sonhos, o amor…
- O amor também lhe era possível?
- Sim, e porque não?
- E as cicatrizes da vida que a tornaram cética?
- Apagaram-se com o soprar do vento.
- E os assuntos mal-resolvidos do passado?
- O soprar do vento também virou essa página. O que não tem solução, solucionado está.
- Mas… e o medo?
- Ela supera. Quando se quer muito alguma coisa, vale a pena correr o risco.
- E a timidez, ela se livrou?
- Não, a aceitou. Talvez a timidez seja o seu mistério, o seu charme…
- E o que ela fez com o ceticismo, jogou no lixo?
- Ela prefere acreditar em algo e estar errada a não acreditar em coisa alguma.
- E o que fez com que ela acreditasse que tudo lhe era possível?
- O seu coração foi preenchido por palavras de sabedoria.
- E quais palavras foram essas?
- As palavras de sabedoria.
- Sabedoria de quem? De Deus? De Jesus Cristo? De Buda? De Bono Vox?
- As palavras do vento que soprou.
- E o que foi que o vento falou?
- Que tudo lhe era possível.
Em busca do Inefável
vvv vvv

Segundo o dicionário Houaiss, “algo que não se pode nomear ou descrever em razão de sua natureza, força, beleza; algo indizível, indescritível, ou algo que causa imenso prazer, que seja inebriante, delicioso, encantador(…)”.
Pergunto-me novamente, o que é inefável? O que pode ser inefável em tempos modernos, nos quais, tantas coisas já se foram escritas, traduzidas, adaptadas para o cinema, entrado como pauta em debates filosóficos…? O que pode ser inefável quando tudo parece já ter sido vivido, sentido, apreciado?
Mais uma vez, o que é inefável?
Estou em busca de algo, uma palavra, um acontecimento, uma pessoa, uma experiência, que sejam inefáveis.
Serei eu inefável?
Como saberei se pouco conheço sobre esta palavra? E pouco conheço sobre mim.
Penso que não sou inefável… Mas tenho certeza que a minha alma o é.
O que é inefável? Seria algo ligado ao sentido de plenitude, completude? O que está me faltando? O que me falta para descobrir o que é inefável?
Ou seria o sentir? O sentir que é o inefável?
A definição de sentir no dicionário é tão abrangente que eu não saberia discernir… Será que sentir é como quando suspiramos o toque da mão da pessoa que amamos? Não é como um toque qualquer, de amigo, de irmão… É diferente. Ou será que sentir é apenas uma forma de perceber, apreciar as coisas?
Será o amor inefável? Aliás, o que é o amor? E como sabemos quando de fato é amor?
Será o inefável uma pessoa? Alguém o (a) conhece? Como seria o senhor inefável? Imagino que não teria rosto… mas que sua presença me faria sentir algo… não sei… inefável?
Continuo com a minha indagação. Quero descobrir, e mais, sentir o que é inefável!
Estou à busca de algo, objeto, palavra, acontecimento, pessoa, lugar, experiência, sentimento, que seja inefável.
Se alguém souber e/ou conhecer, por favor, compartilhe?
