4.8.09
Pensamentos soltos...
Vitrine Viva
quando a indignação confronta o divino
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O livro A Cabana relata momentos frios e tenebrosos, tristes e sombrios. Porém não esquece de expor aqueles quentes e vivos, cheios de alegria e de júbilo. Mais do que uma história, esse livro traz uma visão diferente sobre o conceito de “Deus”. Quebra paradigmas, questiona a religião, rejeita hierarquias, normas e regras. Derruba barreiras, rasga mordaças e liberta os punhos. William P. Young, o autor, mais do que entreter, esclarece dúvidas milenares e instiga o senso crítico. E tudo isso, em uma viagem por páginas leves.
A Cabana é um livro de ficção para quem não quer ler um livro de ficção. Eu garanto: a leitura vale a pena quando se permite ser transformado por ela.
SORTEIO
Envie um e-mail para o endereço buscando.o.inefavel@gmail.com com o assunto “EU TAMBÉM QUERO ENTRAR NA CABANA” e participe do sorteio do livro de William P. Young. Lembre-se de colocar o seu nome completo e um número para contato no corpo do e-mail.
O nome do ganhador será divulgado no blog.
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.*A Senhorita Inefável participa do Projeto Missy. Saiba o que é clicando aqui: The Missy Project (site em inglês)
Intrigante Sinfonia...
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13.7.09
Estive pensando...
Para gostar, basta entender
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Sei que após a morte do ícone Michael Jackson, o contexto pede que se debata o gênero de música pop, porém eu gostaria de compartilhar uma experiência diferente.
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.....Algumas vezes, ainda muito jovem, eu me atrevia em sintonizar nas estações de rádio que tocam músicas deste gênero. Eu ouvia, e gostava, mas não conseguia ficar durante muito tempo. Eu reconhecia a beleza da sonoridade, porém, não entendia o porquê de serem assim e minha mente vagava para outros universos.
.....Eu me lembrava das aulas de matemática, estatística e geometria... disciplinas que sempre tive dificuldade em aprender. Quanto mais eu não entendia, mais me distanciava. Senti que com a música clássica era assim. Eu queria apreciá-la, porém não a entendia para conseguir tal feito.
.....Tentar entender música clássica por si só – pelo menos para mim – é muito mais difícil do que tentar entender música rap. O gênero rap nunca fez parte das minhas preferências, mas para mim era completamente natural ficar na frente da televisão assistindo aos clipes do Eminem na MTV. Poderia não fazer parte da minha realidade nem dos meus gostos, porém eu conhecia um pouco da história deste cantor e entendia os porquês das letras agressivas. E conseguia até identificar a genialidade por trás da construção de seu trabalho.
.....Há algumas semanas, a Editora Abril lançou uma coleção de músicas clássicas. Saber disso não me empolgaria tanto se eu não visse que cada volume vem com um livro contando a história do compositor, suas obras e um Guia de Audição (!) para ir lendo enquanto você ouve as composições. Eu não acreditei que isso seria possível, mas fiquei realmente surpresa quando consegui entender cada trecho do que tocava e perceber o que o artista queria passar com cada sinfonia.
.....Como exemplo, segue um trecho do Guia de Audição do volume 2 da coleção. O comentário é sobre a obra "Abertura 1812, Opus 49", de Piotr Illitch Tchaikovsky.
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00’00” Violoncelos e violas solistas apresentam de forma plangente o hino ortodoxo Deus Salva o Teu Povo.
02’07” Após uma breve passagem em fortíssimo (termo derivado do italiano usado para indicar a intensidade do som), o oboé (instrumento de sopro, com palheta dupla e tubo cônico) apresenta uma segunda idéia (forma) musical, respondida pelos violoncelos e contrabaixos. Esses elementos irão se intensificar com a gradual inserção dos demais instrumentos.
03’07” Metais começam a evocar o caráter militar da música, com ritmos marcantes e precisos.
03’55” Aparição do tema das forças russas, com franca inspiração militar, é apresentado pelas trompas e madeiras, acompanhados pela rítmica do tambor militar.
04’51” Inicia-se uma seção imitativa, no qual um novo tema (forma musical), apresentado primeiramente pelos violinos, torna-se cada vez mais tenso.
05’34” A iminência do ataque napoleônico é evidenciada pela aparição do hino francês, A Marselhesa, nos metais.
06’59” Novo tema, associado à esperança, surge primeiro nas cordas e depois nas madeiras.
(...)
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.....O volume número 1 da coleção vem com as obras de Beethoven. Achei interessante ler sobre sua vida, saber que não parou de produzir mesmo depois de perder a audição. Mas sua obra tem um “quê” de melancólico, dramático. Diria até sombrio… Ao mesmo tempo em que reconhecia sua grandiosidade, eu ficava triste ao ouvi-la. Já Tchaikovsky me deixou encantada. Dá pra perceber uma “montanha-russa de emoções”, como o próprio guia brinca, em suas composições. Não é à toa que escreveu para as peças teatrais Romeu e Julieta e O lago dos Cisnes. Valeu realmente a pena ler e ouvir.
.....Nos próximos volumes, vou ouvir Mozart e Vivaldi. Tenho certeza que vou continuar me surpreendendo. Sempre é muito bom (um sentimento inefável) desvendar universos antes tão desconhecidos, saber que este mundo já viveu bastante e que muito se criou e realizou nele.
.....Nunca é demais aprender. Como diz Alice Cruz, uma das minhas “chefas” no local onde trabalho, “conhecimento não ocupa espaço”.
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(imagem Music, de Basilyskos, em seu álbum no Flickr - trabalho interessante, vale conferir!)
Pensamentos Soltos...
Intrigante Sinfonia...

1.7.09
Estive pensando…
“O rio se compraz em nos levar se temos coragem para nos soltarmos.
Nossa verdadeira tarefa é esta viagem, esta aventura”.
(Richard Bach)
Sonhos, desejos, uma razão para viver todos tem. Porém, observo que são poucos os que conseguem manter o foco, não se distrair ao longo da caminhada. As inúmeras atividades, os problemas, a enxurrada de notícias facilmente soterram o consciente da maioria. Esta passa a viver no piloto automático esquecendo-se de sua maior motivação para continuar respirando. Esquece de buscar aquilo que a faz ter um brilho próprio......Isso deve ter acontecido alguma vez com você, meu leitor. Assim como também ocorreu comigo. Costumo brincar que sofro de uma doença muito grave, os mais chegados a chamam de “insatisfação crônica”. Na verdade, é um anseio que tenho dentro de mim. Uma vontade de encontrar algo digno de me roubar as palavras. Exatamente elas que fazem da minha existência muito mais prazerosa.
.....Denominei essa sensação de “Em busca do Inefável”. Foi ela quem deu origem a este blog, espaço onde expresso e compartilho minha constante procura. Por longo tempo deixei de postar meus pensamentos. A correria destes últimos anos estava – e continua - tirando as minhas energias. Senti-me, por longo tempo, esgotada.
.....Trabalhando, com tarefas da faculdade e muitos prazos para cumprir, me distraí. Concentrei-me tanto nessas coisas que nem notei a falta da busca do inefável em minha vida. Decidi voltar. Decidi render-me novamente a esta ânsia e dedicar-me à atividade que possui a mais encantadora das ferramentas, a palavra.
.....Alguns me questionaram porque escolhi logo o ano mais conturbado (sim, porque este ano também me dedico ao meu TCC). Eu não soube explicar, soube apenas que era necessário, percebi apenas que esta busca me revigora.E aqui estou. Conto com a presença de vocês, essenciais leitores, ao longo de minhas publicações. Conto com a presença de vocês nessa eterna busca de não-sei-o-quê.
por César Zarallo, pego em seu álbum no Flickr)
Pensamentos Soltos…
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“- Gente, porque pensar é transgredir!”
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Intrigante Sinfonia...
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Como é que faz pra lavar a roupa? /Como é que faz pra raiar o dia?
Este lugar é uma maravilha / Mas como é que faz pra sair da ilha?
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Como é que faz pra lavar a roupa? / Vai na fonte, vai na fonte
Como é que faz pra raiar o dia? / No horizonte, no horizonte
Este lugar é uma maravilha / Mas como é que faz pra sair da ilha?
Pela ponte, pela ponte
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A ponte não é de concreto, não é de ferro / Não é de cimento
A ponte é até onde vai o meu pensamento/A ponte não é para ir nem pra voltar / A ponte é somente pra atravessar / Caminhar sobre as águas desse momento
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A ponte nem tem que sair do lugar / Aponte pra onde quiser
A ponte é o abraço do braço do mar / Com a mão da maré
A ponte não é para ir nem pra voltar / A ponte é somente pra atravessar
Caminhar sobre as águas desse momento
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Eu já atravessei a ponte do Paraguai / Um filme inspirou a ponte do rio que cai / É sucesso em Campinas e na voz dos racionais / Mas a ponte da capital é demais
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Projetada para aproximar / Do centro o São Sebastião, o lago e o Paranoá / Desafogaram o tráfego na região / Visitantes de chegada, nova opção
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Fique ligado, acompanhe passo a passo / Condomínios luxuosos por todos os lados / O congresso e o planalto colados / “Aqueles barraco ali ó, vão ser retirados”
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A ponte é luxo, nada é mono, só stéreo / Mil e duzentos metros, louco visual aéreo / Quem sobe só pra regular a antena / Reforce as pontes-safena
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A ponte começou depois, mas terminou / Bem antes que as obras do metrô / Quem mora fora do avião / Bate palma, aplaude, apóia, pede diversão
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A ponte é muito, muito iluminada / O pôr do sol numa visão privilegiada
O povo quer passar, vê nela algo místico / A ponte virou ponto turístico
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Esse lugar é uma maravilha / No horizonte, no horizonte
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Tem ambulante, tem camelô
Olha pra baixo, vê jet-ski e altos barcos
Olha pra cima, lá estão os três arcos
A ponte saiu do papel, virou realidade / Novo cartão postal da cidade
Um quer transformar ela em patrimônio mundial / Um outro num inquérito policial
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Então, então, então, na sua opinião, Lenine,
Tá tudo normal ou existe crime?
Se souber o caminho de rocha, me aponte
Vai na fonte, vai na fonte
É... a ponte simboliza união
No nosso caso, Brasília e o sertão
[A ponte não é de concreto, não é de ferro, não é de cimento]
É do vermelho, é do azul, é de cada elemento
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Leva o nome de JK / Que transferiu a capital do litoral pra cá
Lenine, te peço mais um favor [Diz aí] / Cante a origem deste preto que se apresentou
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Nagô, nagô, na Golden Gate

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Quem foi? / O projeto é do arquiteto Alexandre Shan
Pagaram? / Todas as contas foram aprovadas pelo TCU
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Intrigante sinfonia é uma seção que tem por objetivo expor letras de músicas que servem como retrato da nossa sociedade brasileira, nossas culturas, de acontecimentos, de eventos, de nossos desejos, anseios e dúvidas, retrato de uma perspectiva de futuro, dentre muitas outras coisas.
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Você conhece alguma música que retrate alguma característica de nossa sociedade brasileira? Se sim, envie o nome, o autor e a letra para buscando.o.inefavel@gmail.com . Ela pode ser publicada neste blog!
8.10.08
Estive pensando...
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.....Com o passar do tempo, criou-se a idéia de um deus distante, que não habita a terra e não tem pacto direto com os seus seres. Deus estava longe, sentado no seu trono imponente, preocupado demais com assuntos tão inimagináveis que se tornava também impossível de se imaginar que ele pudesse prestar alguma atenção nos meros mortais. O ser humano se viu, assim, livre para usufruir de todos os recursos e matérias-primas que estavam bem ali, debaixo dos seus pés. Já não era proibido dominar a natureza. Sendo deus ausente, todos já não eram mais sagrados, muito menos faziam parte de um todo. O homem era superior e dono de si. Feito a imagem e semelhança de um deus e, por isso, poderoso.
.....Mais alguns sóis e algumas luas são vistas e temos um universo sem um criador. Não há um deus, apenas uma referência, o dinheiro. E esta referência, diferentemente de um deus, não precisa de parâmetros nem leis para ser alcançada.
.....Encontramos nesta fase um ser humano fragmentado. Ele já não é um todo, não é um ser que possui uma história com começo, meio e fim. Ele não sabe quais são as suas origens e não sabe que caminho encontrará para seguir. Este ser possui apenas um tempo: o momento presente. E este único momento “possível” se tornou justificativa para que as razões individuais se sobreponham às razões coletivas. Toda e qualquer ação é justificada para que seja possível a busca da felicidade, mesmo que esta, na maioria das vezes, seja momentânea.
.....Perdeu-se o valor da família, dos laços afetivos, do conceito de sagrado. O sentimento de individualismo aflora cada vez mais abafando os sentimentos de altruísmo e solidariedade. A competitividade e a ânsia para se obter um bem próprio são maiores do que a vontade de se conquistar um bem para o coletivo. Pierre Legendre exemplifica bem como isso funciona com o que chama de “self-service normativo”, onde todos podem escolher os seus valores em detrimento dos valores do coletivo.
.....Edgar Morin, em seu livro Método 6: ética, propõe que se busque os fundamentos da ética e não falsos valores que surgem apenas para cobrir o vazio. É preciso visar o bem da comunidade e que prevaleça o zelo pela espécie. É preciso inverter as atitudes desta sociedade capitalista.
.....Uma das ferramentas possíveis de serem utilizadas é o jornalismo, porque ele, em sua essência, já é social e comunitário. O problema está no jornalismo que, em sua grande parte, cedeu aos interesses de grandes corporações em detrimento da causa pública.
.....Eugênio Bucci, em seu livro Sobre Ética e Imprensa, diz que ética é saber escolher entre “o bem” e “o bem” (ou entre “o mal” e “o mal”), levando em conta o interesse da sociedade. O jornalista precisa, seja nas universidades ou nas redações, ser constantemente estimulado e treinado a exercer o seu ofício com olhar comunitário. Assim, ele será exemplo de conduta e disseminador de um ideário que (re)construirá fundamentos verdadeiramente éticos.
22.1.08
Ramerrão*
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Acordou.
Leu o jornal. Na verdade, folheou.
Foi para o trabalho. Em cima da hora.
Almoçou. Não se lembra o quê.
Foi além do expediente.
Chegou na faculdade. Atrasado.
Estudou. Pouco se lembra o quê.
Voltou para casa.
Assistiu ao reality show do momento.
Tomou banho.
Jantou uma sobra de ontem.
Dormiu. A luz ficou acesa.
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E cada momento da vida vai passando como se tivesse somente um segundo.
*Este texto faz parte de um projeto "ainda sem nome", que consiste na elaboração de textos originados de temas sugeridos por uma mediadora. Cada participante escolhe um tema e seu texto, depois de postado no blog, recebe uma crítica de outro participante.
O texto Ramerrão recebeu a crítica de Vinicius Peixoto. Confira logo abaixo:
Diário de Menina
..."Não conheço a Fábia. Nunca a vi passar nos corredores da faculdade. Nunca tive a oportunidade de ler em seu olhar se realmente busca o inefável. Para criticar o último texto dela, preciso primeiro falar a respeito do blog como um todo.
...Quando era adolescente, tinha uma curiosidade enorme em saber o que havia dentro dos diários que as meninas escreviam. Queria conhecer todos os segredos que eram colocados ali. Não imaginava, na minha ingenuidade de hormônios pululantes, que isso poderia ser uma invasão de privacidade imensa. Cresci e não consegui realizar esse desejo.
...Estou lembrando isso porque ao entrar pela primeira vez no blog da Srta. Inefável, me senti dentro de um diário de menina. A Fábia escreve com o descompromisso de menina que confessa coisas a uma folha de papel colorida. Daquelas em que se pregam fotos de momentos marcantes e adesivos brilhantes. Mas não é fácil de ver isso. Perceber o blog assim exige concentração e amor pela leitura.
...Dentro de cada pensamento solto, cada poema, cada letra de música, existe um fio de meninice, uma doçura... Como dizer? Inefável!
...Valendo-me dessa premissa, minha crítica ao texto “Ramerrão” será curta e direta.
Amante de leitura que sou, imaginei chegar no blog da Fábia e encontrar um belo texto, extenso e cheio de emoção, com detalhes vivos e emocionantes. Quando vi um pequeno bloco de palavras, me decepcionei. Esperava me deparar com um tolho de reflexões e a única coisa que vi foram 10, talvez 13 linhas, em forma de poema.
...Droga! - pensei eu. Respirei fundo e me propus a ler sem preconceitos. E, no final das contas, tive uma grata surpresa!
...“Ramerrão” narra, em sua genialidade, o dia-a-dia que passa, e passa, e passa enquanto a nossa própria vida passa. Como a própria autora diz: “Cada momento da vida vai passando como se tivesse somente um segundo.”
...A velocidade da leitura e a forma da construção trazem exatamente o sentido de que só paramos para pensar na vida quando temos uma última oportunidade, um último segundo, sem imaginarmos que o que fica para trás é uma história, um filme inacabável que acontece sem que percebamos. E Fábia soube dizer em uma dúzia de linhas!
...O texto é fantástico e o diário da menina Fábia é, sim, absolutamente inefável!"
Vinicius Peixoto é estudante de jornalismo e possui uma sensibilidade que raro se encontra em jovens escritores. É autor do blog http://tresdedosdeprosa.blogspot.com/. Vale a pena acessar.
14.1.08
Promessa de Ano Novo*
.....Sorriu, satisfeita, como se possuísse poderes imensuráveis para realizar todo o “impossível”. Imaginou-se então, naquele mesmo local, apreciando o formato das mesmas nuvens, no início de 2009. “Estarei eu elaborando uma nova lista? Muito provável que sim…”
.....Começou a analisar, então, o dia-a-dia das pessoas. Notou que não só nas passagens de anos se fazem promessas e listas e mais listas… mas também todos os dias. “E quando eu realizar tudo o que está em minha lista, qual será o passo seguinte? Elaborar uma nova lista…”. Respondeu a si mesma.
.....Neste momento, ouviu cantos de passarinhos e começou a imaginar como seria a vida dessas pequenas criaturas. Sempre alegres e talentosas, cantam todos os dias, a qualquer horário. Felizes, não porque realizam, conquistam… mas simplesmente porque vivem.
.....Ficou imaginando, então, quanto tempo de sua vida concentrou suas energias apenas em metas, objetivos. O seu conceito de felicidade estava sempre no futuro, sempre na maçã no alto da árvore que desejava tanto alcançar. Imaginava que só estaria feliz quando estivesse com essa maçã nas mãos. Porém, o ano novo transformara algo dentro dela. Notou como sentiu-se plena ao estar na companhia de seus familiares, ao ler seu livro preferido… Não se sentia satisfeita apenas ao terminar a leitura. Sentia-se bem durante todo o processo de leitura do livro.
.....“Talvez o ser humano foque no item errado”, pensou consigo mesma. Chegara à conclusão que, melhor que usufruir de tudo aquilo que se conquistou, era o processo de conquista. O ato de expandir os horizontes, dar passos mais largos, voar mais alto, sentir que se está ficando mais forte… “Afinal, não é isso que o ser humano leva para outras vidas?”, pensou, “A experiência, o aprendizado, a maturidade…” Decidiu, então, que a maior e mais importante das suas promessas seria a de estar atenta a cada milésimo de segundo de sua vida, na confiança de que tudo daria certo, sem deixar de sentir a alegria de cada momento.
*Este texto faz parte de um projeto "ainda sem nome", que consiste na elaboração de textos originados de temas sugeridos por uma mediadora. Cada participante escolhe um tema e seu texto, depois de postado no blog, recebe uma crítica de outro participante.
O texto Promessa de Ano Novo recebeu a crítica de Marco Aurélio. Leia logo abaixo:
"Eu sou um cínico. Sei que é estranho começar uma crítica assim; mostra, no mínimo, grande egocentrismo por parte do crítico. É isso também, mas não só: preciso deixar claro meu cinismo constante para explicar logo de cara por que não gostei do texto "Promessa de Ano Novo", de autoria da colega Fábia Zuanetti, ou Senhorita Inefável. Se ainda me restasse alguma fé na humanidade, talvez fosse capaz de apreciar o texto. Acho, no entanto, que a humanidade encaminha-se para o buraco, e já vai tarde. Sendo assim, o texto me pareceu apenas um pastiche de auto-ajuda, e só me fez sorrir. Um sorriso torto, cínico, é claro.
Se o cinismo não permite que eu analise a mensagem do texto de forma equilibrada, atenho-me a detalhes mais técnicos. Para começar, está escrito corretamente. Exceção feita ao estrangeirismo desnecessário do primeiro parágrafo ("step by step"; o que há de errado com "passo a passo"?) e ao famigerado e inexistente verbo "focar" do final, o texto é bem escrito.
De resto, a autora não parece à vontade. Isso seria compreensível, tratando-se de um texto-tarefa, cujo objetivo é ser analisado por pessoas desconhecidas, talvez até um crítico cínico e desalmado (que deus nos livre). Mas estudamos para ser jornalistas, e a pressão desse leitor invisível e cruel é uma constante na profissão. Enfim, é mera suposição de minha parte.
Outro aspecto que me incomoda é a presença da autora no texto. Assim como um bom árbitro de futebol é aquele cuja presença não é notada no campo, o bom escritor é aquele que não se deixa ver naquilo que escreve. Ver o rosto do manipulador acaba com a graça de qualquer apresentação de marionetes. Principalmente na falta de fluidez do texto, nos saltos de pensamento da narradora, nota-se a autora mexendo as cordinhas, manipulando. A personagem não vive, é um mero fantoche.
O que vejo é uma pessoa com talento, mas que precisa de um pouco mais de sabor, de tempero em seu texto. O negócio é ler e reler livros de autores mortos e escrever todos os dias. Fiar-se demais na inspiração não dá resultados, é preciso estar disposto a transpirar também. "
Marco Aurélio é estudante de jornalismo, cínico e egocêntrico (mas acredito não ser uma má pessoa), cético e autor do blog http://www.jesusmechicoteia.com.br/.
3.1.08
Escrito em outra estação
Agressivo sem ser destrutivo
..É como a cor vermelha.
..É agressivo sem ser destrutivo.
..É penetrante.
..É muito forte e intenso.
..É perspicaz, capaz de perceber as coisas mais sutis.
..É uma efervescência de sentimentos. (Sentimentos? Às vezes, podem ser apenas emoções).
..É emocional.
..É físico.
..É vivaz.
..É enérgico.
..É indizível.
..É sutil.
..É engenhoso.
..É espirituoso.
..É como um olhar sagaz.
..É como um discurso argucioso.
..É forte.
..É denso.
..É fora do comum.
..É complexo.
..É digno de grande admiração.
..E é impossível de se explicar, porque a descrição nunca corresponderia à verdadeira expressão da realidade.
Pensamentos Soltos
“Descobri que minha mãe estava doente quando papai devolveu os peixes ao mar. Naquela noite, passamos fome. ‘Para entender o vazio’, ele nos disse”.
“Minha mãe dizia que minha irmã era como a madeira. Tão enraizada a terra como uma cerejeira. Mas que eu era como a água. A água abre caminho, mesmo através da rocha. E diante de algum obstáculo, ela encontra outro rumo”.
Do filme Memórias de Uma Gueixa.
Estive pensando...
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.....O texto A TV que não ensina a morrer*, publicado na edição de agosto de 2007 da revista Caros Amigos, foi escrito por Marilene Felinto. Embora eu ria ao ver que ela insiste em afirmar que é escritora, ainda me consola ver que, no final da página, ela não assina como jornalista.
....O raciocínio dela começa com um misticismo absurdo. “Porque a droga da TV – do jornal e da revista – não aproveitou a desgraça com o avião da TAM no aeroporto de Congonhas (…), a fatalidade, a impotência humana sobre o tempo e o mistério, para tratar a efemeridade da vida? (…) Porque (…) não aproveitou para lembrar ao espectador que amanhã morre-se? A hora era de filosofia, de meditação, não de politicagem oportunista, não de espetacularização da dor alheia (…)?”
.....Ora, convenhamos. Se por um lado há a exploração do fato, as inúmeras repetições das imagens do ocorrido e certo sensacionalismo, por outro, vejo neste texto um pedido de conformismo, passividade. E eu diria até, uma falta de respeito com os familiares das vítimas. Este acidente nada teve de natural, não estava escrito nas estrelas que aconteceria, os passageiros presentes naquele vôo não estavam predestinados a morrerem. O fato ocorreu por falta de responsabilidade das autoridades, por incompetência daqueles que deveriam estar gerenciando o aeroporto de forma adequada, por falta de supervisão dos responsáveis pela manutenção da pista.
.....Alguém precisa dizer a Marilene que é da natureza humana nascer, crescer, ao longo dos anos ver as células envelhecerem, a pele enrugar. O natural do ser humano é envelhecer e, aí sim, morrer. Toda morte ocorrida antes deste tempo é não-natural, é ocasionada por alguma intervenção humana. Como, obviamente, ocorreu no caso do acidente da TAM.
.....Também é um absurdo ela, sendo escritora e não jornalista, cobrar da mídia uma postura que apenas ela considera a adequada. Quem tem liberdade para escrever o que quer e como quer, são os escritores – como ela. O jornalismo segue regras, um parâmetro, não possue uma liberdade sem limites como os escritores. Como os principais veículos de comunicação, tendo essa responsabilidade, não iriam apontar os erros do governo, das autoridades, da pista sem groove ou da falha mecânica do avião?
.....Como pode ela afirmar que “bastava a TV ter lembrado aos telespectadores que é preciso lembrar-se que o amanhã não existe”? Alguém me explica como é que o amanhã não existe se já tivemos tantos amanhãs depois do acidente da TAM? Se ela quer filosofia, misticismo, debates sobre o tempo, cobre dos filósofos, de líderes espirituais… A mídia tem a obrigação, apenas, de relatar fatos, apontar os culpados e explicar as conseqüências.
.....Penso que Marilene Felinto deve sofrer de algum conflito interno. Na última parte do texto, que é dividido em três, ela afirma não se interessar mais em publicação de livros (se não, então porque continua a fazê-lo?), que escreve apenas para si mesma (se isto é verdade, por que não engaveta os seus textos ao invés de publicá-los na Caros Amigos? Nenhum escritor escreve apenas para si mesmo. Eu não escrevo apenas para mim mesma) e o que deseja é o esquecimento (mais uma vez, deixe de publicar, ou então, use um pseudônimo). Tudo contraditório ao que ela escreve na edição de janeiro da revista, em que afirma ser feliz por ter deixado o seu quintal sombrio em Pernambuco para ir para São Paulo fazer o que ela mais gosta e o que menos faz bem – escrever.
.....É lamentável ver um texto deste publicado em uma revista. É lamentável ver que foi aceito pela Caros Amigos. Mas vamos procurar um aspecto bom nesta história toda. Ao menos, temos uma referência de que tipo de escritor não devemos seguir exemplo. Definitivamente, Marilene Felinto não ensina a escrever.
*Para ler o texto de Marilene Felinto, clique na imagem acima.


